Faltam 4 meses para o Enem: planeje seus estudos

Falta pouco! Em menos de quatro meses, cerca de 5,5 milhões de brasileiros, sendo 398.490 deles baianos, vão participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como na Copa do Mundo, quem pretende ficar com uma das vagas precisa de dedicação e concentração máxima nesse tempo que falta.

As provas do Enem serão aplicadas nos dias 4 e 11 de novembro. Pensando nisso, o CORREIO conversou com especialistas, que montaram um planejamento para ajudar os candidatos a fazerem o tempo render. A partir desta quarta-feira (11), tem início a 12ª edição do projeto Revisão Enem, que disponibilizará, no site do jornal, videoaulas e questões para serem respondidas pelos estudantes até o dia 7 de novembro.

Segundo eles, a palavra-chave que deve nortear os estudantes nos próximos meses é “disciplina”. Ainda há tempo de apreender novos assuntos e aparar as arestas de algumas matérias, mas, para isso acontecer, é preciso dedicar, pelo menos, seis horas diárias aos estudos, além de ter cuidado com a alimentação e o sono.

O estudante do 3º ano do Colégio Estadual Deputado Manoel Novaes, Airton Carlos Luis Filho, 17 anos, vai fazer Enem pela terceira vez. Ele quer cursar Engenharia de Produção na Universidade Federal da Bahia (Ufba) no próximo ano. Para garantir a vaga, Airton está fazendo cursinho pré-vestibular pela manhã, no Universitário. “Eu vou para cursinho de manhã, vou de tarde para a escola e estudo redação quando chego em casa”, conta o jovem.

Além da Ufba, Airton também pretende fazer a prova do Instituto Federal da Bahia (Ifba). “O sonho de qualquer aluno é estudar em uma organização federal, então, eu também quero”, diz. Nos anos de 2016 e 2017, o jovem fez a prova de Enem para testar conhecimentos.

Já a estudante Amanda Velis, 17, quer Medicina. Ela também está se preparando para garantir uma vaga na Ufba. “O foco principal é a Federal. Eu estudo durante os finais de semana, porque preciso trabalhar de manhã e ajudar minha mãe quando chego em casa”, diz.

Sem desespero
Assim como um craque que disputa uma vaga no campeonato, não adianta desespero nem afobação. A recomendação da coach Marina Aquino é que as seis horas de estudo sejam dedicadas aos assuntos que mais caem na prova e aos que o candidato tem mais dificuldade, com algumas ressalvas.

A especialista orienta o estudante a fazer intervalos de 10 a 15 minutos a cada uma hora. Além disso, não é recomendável que ele se dedique exclusivamente a um assunto durante as muitas horas de estudo, mas que faça um rodízio, estudando a cada uma hora uma matéria diferente.

“Mais importante do que a quantidade de horas em que ele estuda é a qualidade desse estudo. Não adianta estudar até cair por cima dos livros, por exemplo. A recomendação é de que ele faça pausas de descanso e alterne as matérias. Revisar também é muito importante porque pior do que não estudar é estudar e esquecer”, disse.

Ela orienta os estudantes ainda a deixar de lado o celular e a televisão. Uma dica é desligar o aparelho, colocá-lo dentro de uma caixa, fechá-la e escrever na tampa uma frase motivadora que lembre a faculdade tão desejada. Sempre que pensar em usá-lo, o candidato será levado a refletir.

Os 10 ou 15 minutos de intervalo entre as disciplinas devem ser usados para relaxar. Aquino recomenda que o candidato aproveite esse tempo para se hidratar, ouvir uma música relaxante ou fazer meditação. O importante é tranquilizar a mente para a próxima hora de dedicação.

“Ter uma alimentação balanceada e, no mínimo, seis horas de sono também é importante para um bom aproveitamento. Fazer atividade física também é bom, porque ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade e facilita o aprendizado”, afirmou.

A especialista contou que esse planejamento deve ser seguido até a semana que antecede as provas. Nesse momento, cada candidato deve adotar a estratégia que melhor lhe agrada. Para alguns, uma semana antes é o momento de descansar e não pegar mais nos livros, outros usam o período para fazer uma grande revisão, e há aqueles que estudam até o último dia.

Treino
Para o professor de Geografia Orlando Pereira Neto, a afobação atrapalha bastante. Ele recomenda que os estudantes procurem por um profissional qualificado para esclarecer as dúvidas, assistam  videoaulas e façam exercícios para aprimorar o conhecimento.

“Recomendo seis ou sete horas de estudos diários, mas cada estudante precisa conhecer os próprios limites. É muito importante que ele faça exercícios semanais, ou seja, que pegue as provas anteriores do Enem e simulados para responder. O Enem é mais uma prova de resistência do que de conhecimento, então, esses exercícios são importantes”, disse Orlando.

O professor recomenda que os candidatos cronometrem o tempo que vão levar para responder as provas e confiram ao final se conseguiram responder todas as questões no tempo exigido pelo exame (4h30 e 5h30). “Esse exercício prepara o corpo para o desgaste do dia da prova”, afirma.

O diretor do Instituto Dom de Educar, da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Toni Lima, concorda que os exercícios são importantes e lembra que a prova está longe de ser decoreba.

“O Enem é o segundo maior sistema de avaliação do mundo, ficando atrás apenas da China. É uma prova que exige conhecimento, habilidade e competência. Exige interpretação de texto e que o candidato relacione conteúdo, então, é preciso dedicação e muito estudo”, disse.

Ele orienta a quem ainda não fez um planejamento de estudo usar a divisão do próprio exame como referência e estudar a cada semana uma das linguagens cobradas na prova. A última semana deve ser dedicada para revisões leves e fazer ações que ajudem a diminuir o estresse, como pedalar, tomar um banho de mar ou sair com os amigos.

O número de candidatos inscritos para participar do Enem neste ano é cerca de 20% menor do que o registrado em 2017, quando 6,7 milhões de pessoas se inscreveram no processo. Em 2018, as mulheres são maioria. Elas representam 59% dos inscritos e os homens 41% (veja mais ao lado).

Abstenção
A quantidade de estudantes que não comparecem às provas também é grande. Segundo o Ministério da Educação (MEC), nos últimos cinco anos, a média de abstenção foi de 29%, gerando um prejuízo de R$ 962 milhões.

A coordenadora do ensino médio da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Jurema Brito, contou que um dos grandes desafios é motivar os estudantes a fazer o exame. A baixa autoestima dos alunos levou a pasta a adotar uma estratégia motivacional.

“No ano passado, adotamos pela primeira vez o Enem 100%, um conjunto de estratégias para estimular os estudantes a fazerem o Enem. A primeira etapa é, justamente, a mobilização e discussão em sala de aula sobre a importância do exame. Damos o incentivo para que eles se inscrevam”, disse ela.

Algumas escolas montam bases para fazer a inscrição dos estudantes e, no dia da prova, a SEC disponibiliza transporte para levar até o local de prova os candidatos que moram em 260 municípios da Bahia. Além disso, nos meses que antecedem o exame, os professores intensificam os simulados. Três aulões ainda serão realizados.

Fonte: Correio

tv CÂMARA


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